Hoje foi um dia muito interessante.
Estou escrevendo isso de madrugada, pois foi o único horário que consegui esfriar a cabeça para falar sobre isso que aconteceu.
Durante o início do mês de abril, me foi avisado de que eu retornaria ao papel de "Visconde de Sabugosa", na peça "As Aventuras no Sítio do Pica-Pau Amarelo", papel que eu já tinha feito no começo do ano, em janeiro.
Até aí, tudo bem. Sem problemas. O Visconde é um personagem muito agradável de se fazer, especialmente pelo fato de que dá pra improvisar bastante e brincar com a plateia.
O diretor me notificou de que as peças estariam em cartaz durante o mês de abril no Shopping Trimais Places, que fica perto da Estação Tucuruvi, em São Paulo. Aí já começou o primeiro problema: eu moro bem longe do Tucuruvi. São cerca de 22 km de onde eu moro até o shopping. Mas, como sempre disse, trabalho é trabalho. Sempre fui sem nenhuma reclamação.
No domingo, dia 3 de maio, que seria nossa última apresentação em cartaz, acordei doente e passando muito mal, mas como disse anteriormente: trabalho é trabalho. Eu não iria faltar, mesmo doente.
Chegamos a Rafa Sienna (também atriz da peça e minha namorada) e eu no shopping, cerca de uma hora antes do horário pra peça começar, para nos maquiarmos e colocarmos os figurinos. Dito e feito. Colocamos os figurinos e fizemos a maquiagem de maneira bem rápida para fazer a divulgação da peça pelo shopping.
Conversando entre si, os atores e o sonoplasta decidiram que, já que o teatro seria nosso até as 18h da noite, por que não adiar a peça por cerca de uma hora (16h) para divulgarmos mais e conseguirmos mais público? Dito e feito novamente. Decidimos adiar a peça por uma hora para ver se conseguíamos aumentar a audiência, afinal ninguém havia comprado o ingresso da peça ainda.
Porém tem algo, não muito legal, que eu notei já fazem algumas semanas: por ser uma peça infantil, os pais das crianças acabam por não se interessar pelo material oferecido, então tiram fotos com o elenco e "prometem" (promessa essa que nunca é cumprida, por sinal) que irão levar as crianças para a peça.
Nós ficamos quase uma hora divulgando a peça e tirando foto com as crianças (que claramente queriam ver o que nós estávamos aprontando no Sítio), até que teve uma hora que eu não aguentei e o fato de eu estar doente prevaleceu. Eu precisei me separar do grupo e voltar para o camarim para descansar. Chegando perto do teatro, me encontrei com o rapaz que seria o sonoplasta do dia (curiosamente, ele era quem estava vendendo os ingressos também) e perguntei se algum ingresso tinha sido vendido. A resposta, devo admitir, não me espantou nem um pouco: zero ingressos vendidos.
O motivo de eu não ter me surpreendido se dá pelo fato de que não é a primeira vez que isso acontece, com a mesma peça, no mesmo teatro.
Sinceramente, foi um soco na boca do estômago. Se eu soubesse de que não haveria público, eu teria ficado em casa me tratando, não teria ido pra um shopping longe pra caramba de casa pra ficar passando mal.
Enfim, eu sei que pode não parecer muita coisa, mas para um ator isso é a pior sensação.
Nós não nos sentíamos como atores, mas sim como personagens vivos, no qual nós não fomos contratados para ser.
Senti que foi um dia de trabalho desperdiçado. Realmente espero que isso não aconteça novamente.